O Café e a História da Cidade de São Paulo

Roteiro do Café e a História de São Paulo

Apresentação

Em São Paulo, o café é muito mais do que a segunda bebida mais consumida do mundo. A economia cafeeira foi o fator desencadeador do desenvolvimento que levou a capital paulista da nona cidade do Brasil em 1872 até a metrópole global de hoje.

A São Paulo Turismo desenvolveu este roteiro para que visitantes possam compreender as transformações sócio-econômicas e culturais que o dinheiro trazido pela especiaria provocou na cidade, vivenciando o patrimônio material e imaterial deixado pelo “ouro negro”.

 

Introdução

A cultura do café, introduzida no Brasil no século XVIII, se disseminou pelo sudeste e sul do país, gerando enorme riqueza e recriando hábitos e costumes.

Cultivado inicialmente na região de Belém, o café chegou ao Rio de Janeiro e de lá se expandiu por todo o Vale do Paraíba atingindo a província de São Paulo, onde se consolidou como base da economia do país nos meados do século XIX e primeiras décadas do XX.

Do Vale do Paraíba se estendeu pelo noroeste paulista. Plantado em vales e montanhas proporcionou o surgimento de novas cidades e a dinamização e crescimento de muitas outras.

Foi o café responsável pela introdução da ferrovia no estado de São Paulo, construída para escoar o principal produto de exportação brasileiro. Trouxe também um contingente de aproximadamente 4 milhões de imigrantes entre o final do século XIX e início do XX, vindos especialmente da Europa.

As divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do país e o inseriram nas relações internacionais de comércio.

A riqueza que fluía pelos cafezais se evidenciava nas elegantes mansões dos barões fazendeiros, nas grandes construções urbanas, na difusão das artes e na importação da cultura européia, nos teatros erguidos na capital e nas novas cidades do interior paulista.

Durante dez décadas, o Brasil cresceu movido pela economia cafeeira. O grande impacto na produção e comércio do café se deu com a crise de 29. Entretanto, o país se recuperou e atualmente ainda é o maior produtor mundial do grão.

Portanto, pode-se afirmar que o café transformou a economia e os hábitos brasileiros, das riquezas geradas ao cafezinho servido às visitas para agregar sabor às conversas, das transformações na vida urbana ao cotidiano do caboclo no campo.ivenciando o patrimue a economia cafeeira provocou na cidade,

 

Roteiro

Este roteiro é composto por dois núcleos: Centro e Luz.

 

Centro

Nesta região se observarão os caminhos do desenvolvimento urbanístico gerado pela economia cafeeira, assim como as reminiscências arquitetônicas e os locais em que funcionavam alguns dos mais emblemáticos cafés da cidade. Atualmente também há dezenas de boas cafeterias espalhadas pela área.

-          Partida da Praça da Sé

-          Caminhada pela Rua XV de novembro;

-          Seguir pela Rua da Quitanda;

-          Entrar na Rua Álvares Penteado;

-          Seguir até o Largo do Café;

-          Entrar na Rua do Comércio;

-          Seguir pela Praça Antonio Prado;

-          Entrar na Rua São Bento;

-          Embarcar no Metrô São Bento em direção à Estação da Luz

 

1 – Palácio da Justiça

Exemplo de construção da nova metrópole que se modernizava pela economia cafeeira, esta obra do Escritório Técnico Ramos de Azevedo (principal arquiteto da São Paulo do café), foi projetada em 1911, mas só foi inaugurada em 1933. Em estilo eclético, com influência neorenascentista, a fachada apresenta acabamentos luxuosos e é ornamentada com figuras, cariátides (estátuas femininas com função de coluna) e símbolos do Judiciário. No interior, o ponto alto é o Plenário do Júri, revestido com lambris de madeira de lei e teto ornamentado e coroado por uma clarabóia no centro.

Abriga exposições permanentes e temporárias mantidas pelo Museu do Tribunal de Justiça – hoje sediado no Palacete Conde de Sarzedas (Rua Conde de Sarzedas, 100).

Praça Clóvis Bevilacqua, s/n.

Horário: de 2ª a 6ª feira, das 10h às 17h (seguindo o calendário do Tribunal de Justiça) 

Telefone: (11) 3295-5816 

Site: http://www.tj.sp.gov.br/museu/palacio/palacio_justica.aspx

 

2 – Edifício Guinle

Pode ser considerado o primeiro prédio vertical da cidade. Construído entre 1913 e 1916, foi uma das primeiras construções de concreto armado no país. Numa época em que os edifícios vizinhos não passavam de três andares, este projeto dos arquitetos Hipólito Gustavo Pujol Júnior e Augusto de Toledo chegou aos oito pavimentos e 36 metros de altura.

A fachada apresenta ornamentação Art Nouveau, com motivos de ramos e frutos de café, remetendo à riqueza trazida pela economia cafeeira.

Rua Direita, 49

 

3 – Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)

A antiga sede do Banco do Brasil na cidade de São Paulo foi construída entre 1923 e 1927, seguindo o projeto do arquiteto Hipólito Gustavo Pujol Júnior, professor da Escola Politécnica. Desde 2001, abriga o Centro Cultural Banco do Brasil, um dos mais ativos e completos espaços culturais paulistanos, parte de mais um esforço na política de revitalização do centro da cidade.

A fachada também apresenta adornos de ramos de café. Outro destaque é o cofre da antiga agência no subsolo do prédio.

Rua Álvares Penteado, 112

Horário: de 3ª feira a domingo, das 10h às 20h

Telefone: (11) 3113-3651 / 3652 

Site: http://www.bb.com.br/portalbb/home22,128,10161,0,0,1,1.bb?&codigoMenu=9897

 

4 - Largo do Café

Antigamente o café era aqui comercializado, numa espécie de bolsa informal, até 1914 com a instituição da Bolsa Oficial do Café, em Santos (que se tornou a maior praça cafeeira do mundo). Atualmente há bares e cafeterias muito animados após o horário comercial, onde se pode saborear um bom café.

 

5 – Edifício Martinelli

Maior construção da São Paulo que crescia com o dinheiro do “ouro negro”. Quando inaugurado, em 1929, era o mais alto edifício do mundo fora dos Estados Unidos, condição perdida apenas em 1936. Inicialmente de autoria do arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena, o projeto previa 12 andares e foi alterado pelo próprio empreendedor da obra, o comendador italiano Giuseppe Martinelli, que tinha a meta de 30 andares e a atingiu ao construir sua mansão no topo do prédio, assim demonstrando aos desconfiados que, apesar de tão alta, a construção era segura.

Antes da construção do Martinelli, havia neste exato local o tradicional Café Brandão, um dos mais marcantes da época.

É permitida a visitação pública ao terraço, com necessidade apenas de agendamento prévio.

Rua Líbero Badaró, 504

Horário: 2ª, 3ª e 6ª feira: das 9h30 às 11h30 e das 14h30 às 16h30; sábado: até as 13h

Telefone: (11) 3104-2477

Site: http://www.prediomartinelli.com.br

 

Região da Luz

A História da Luz está intimamente ligada à ferrovia e, consequentemente, ao café.

A partir da chegada do café, em meados do século XIX, São Paulo cresce. O triângulo central não suporta mais a crescente população e o progresso da cidade. É o início da expansão que segue pela região da Luz, que deixa de ser um ponto de parada de tropeiros para incorporar-se no cenário urbano.

Em 1860, por iniciativa de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, grande impulsionador da indústria brasileira, começa a construção da ferrovia ligando Santos a Jundiaí, concluída em 1867 já sob o controle da inglesa “The São Paulo Railway Company”, visando escoar a produção de café do interior paulista até o Porto de Santos para exportação.

 

1 - Estação da Luz

Com o crescimento da demanda do transporte ferroviário, foi necessário desenvolver um novo projeto de estação que comportasse o movimento de pessoas e cargas. Foram inauguradas em 1901 a atual Estação da Luz e duas pequenas pontes sobre a estrada de ferro. Projetada pelo inglês Charles Henry Driver, sua obra utilizou exclusivamente materiais trazidos da Inglaterra.

Um dos maiores símbolos da cidade – especialmente pela sua torre de 60 metros de altura – a Estação da Luz é uma das mais importantes do sistema de transporte metropolitano. Também abriga, desde 2006, um dos mais visitados museus da cidade: o inovador Museu da Língua Portuguesa.

Praça da Luz, 1 - Luz -

Tel: 0800-55-0121

Site: www.estacaodaluz.org.br

Horário: todos os dias, das 4h às 24h.

 

2 - Painel “Epopéia Paulista”

Realizado pela artista plástica Maria Bonomi, este monumental painel de 73 metros de extensão por 3 metros de altura contempla a memória da Estação da Luz e os tipos humanos da cidade de São Paulo. A obra é dividida em 3 partes:

Amarela – faz referência à presença nordestina na cidade, com ilustrações que remetem à literatura de cordel e cor que representa a terra seca do Nordeste.

Branca – as linhas retas representam os trilhos do trem e do Metrô, na cor branca que simboliza o futuro a ser construído na cidade pelos que chegam.

Vermelha – ilustra objetos esquecidos pelos usuários no dia-a-dia da estação, dos mais comuns aos mais curiosos. A cor escolhida representa a “terra roxa”, a terra vermelha encontrada em São Paulo, que serviu a grandes plantações de café.

Estação da Luz (corredor de interligação entre o Metrô e a CPTM)

Tel: 0800-55-0121

Horário: todos os dias, das 4h às 24h.

 

3 - Parque da Luz

Originalmente concebido para ser um Jardim Botânico, foi criado por uma Ordem Régia da Coroa Portuguesa em 1798. Aberto ao público em 1825, é a mais antiga área verde da cidade. Tem área de 113.400 m² e conta com muitos atrativos, como a gruta com cascata, o aquário subterrâneo, e quase 50 esculturas de artistas como Lasar Segall, Victor Brecheret, Leon Ferrari e Amílcar de Castro dispostas ao longo de toda extensão.

No fundo do parque, próximo aos sanitários, é possível ver um pé de café.

Praça da Luz, s/nº - Luz

Tel: (11) 3227-3545

Site: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/parques/regiao_centrooeste/index.php?p=5757

Horário: de terça a domingo, das 9h às 18h

 

4 - Pinacoteca do Estado

O edifício começou a ser construído em 1897 para sediar o Liceu de Artes e Ofícios – centro de educação profissionalizante para formação de artesãos e mão-de-obra especializada para a metrópole que se desenvolvia com o dinheiro vindo da exportação dessa especiaria. O projeto da construção é do arquiteto Ramos de Azevedo, que também era o diretor do Liceu. Inaugurado em 1905, passou a abrigar a Pinacoteca do Estado, o primeiro museu de arte de São Paulo, que veio a ocupar a totalidade do prédio.

Restaurado em 1998 seguindo o projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, a Pinacoteca tem mais de 8 mil peças em seu acervo e é um dos principais atrativos turísticos paulistanos.

Praça da Luz, 2 - Luz

Tel.: (11) 3324-1000

Site: www.pinacoteca.org.br

Horário: Terça a domingo, das 10h às 17h30

 

5 - Vila dos Ingleses

Esta vila foi concebida para servir de moradia aos funcionários ingleses da ferrovia São Paulo Railway (Santos-Jundiaí).

Tombada pelo patrimônio histórico, foi construída a partir de 1917 seguindo projeto do chileno Eduardo de Aguar D’Andrada, inspirado nas vilas operárias de Londres. Atualmente funciona como um centro de atividades comerciais.

Rua Mauá, 836 – Luz

Tel: (11) 3228-6944

 








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